Às vésperas do encerramento das obras de revitalização, empresários de tradicionais pontos da Savassi abandonam a região devido à alta dos aluguéis. Depois de resistir ao longo período de “vacas magras”, resultado do excesso de poeira e barulho e a escassez de clientes, donos de bares, restaurantes e lojas se rendem aos preços altos, com reajustes que atingem 275%, e se veem obrigados a migrar para outros bairros.
Na lista dos primeiros a sair da Savassi estão os bares Koyote e Mulan.
Vizinhos na Rua Tomé de Souza há 15 anos ou mais, eles viram de
camarote as mudanças de um dos pontos mais tradicionais da região.
Apesar de não margearem a Praça Diogo de Vasconcelos, ambos estão
localizados na área que na década de 1990 era ocupada pelas torcidas de
Atlético e Cruzeiro nas tardes de jogos. Principalmente o Koyote, que
sucedeu estabelecimentos que fizeram tradição na transmissão de jogos
da Savassi, como a pizzaria Marguerita e o bar Salsalito.
No
primeiro, a variação do reajuste quase dobrou o preço do aluguel, que,
no ano passado, já tinha sofrido um primeiro aumento de 60%. Um dos
bares ao lado, mesmo ocupando uma loja a mais, pagará pelo espaço a
metade do preço. Com isso, o bar deixa a capital e migra para o
interior. Por isso, quem quiser reviver os dias que passou no Koyote
terá que ir para São João del-Rei. “O bar estava numa rua onde todo
belo-horizontino que se preza já passou para tomar uma”, diz Vicente
Resende, um dos sócios. Ele afirma que investiu pesado nos últimos anos
esperando que os aluguéis fossem reajustados num nível regular, mas o
aumento ultrapassou, e muito, a inflação. “Economia é isso aí…”, diz o
sócio do Coyote.
Enquanto o Koyote vai ficar quase 300
quilômetros distante do ponto original, os empresários chineses donos do
Mulan iniciaram a reforma de uma casa na Pampulha. O estabelecimento
recriava uma típica casa de karaokê em Belo Horizonte. Há mais de 10
anos na Savassi, eles praticamente foram convidados a sair, depois que
os proprietários do imóvel lhes propuseram aumentar o aluguel de R$ 8
mil para R$ 30 mil. “É triste ter que sair. Mas muita gente ainda vai
mudar”, diz a chinesa Ying Chang. No ano passado, o valor já tinha
dobrado também, o que a obrigou a abrir o restaurante para almoço. Nos
últimos meses, com a queda repentina de clientes, ela teve inclusive que
dar desconto de 50% na refeição.
No caso da empresária Violeta
Temponi, da Divino Oggi, em curto prazo ela teve que decidir entre
deixar a Savassi ou pagar aluguel três vezes mais caro. Prevaleceu a
segunda opção. “Eu não sei como é lá fora!”, afirma ela, há duas décadas
e meia no mesmo ponto, o que lhe garantiu a fidelidade dos clientes.
Mas outros dois ocupantes da mesma galeria optaram por sair. Além da
variação do aluguel, a imobiliária da galeria acrescentou o condomínio
entre as despesas, o que onerou ainda mais. Mas a promessa de melhorias
no edifício até agora não saiu do papel. “Primeiro a obra deveria ficar
pronta para ver o que acontece”, crítica ela.
Sala comercial
Enquanto as variações nos aluguéis forçaram as saídas de antigos
ocupantes da Savassi, o aluguel de uma sala corporativa recém-inaugurada
na Savassi também sofreu aumento de 60% de 2010 para cá, segundo a
Câmara do Mercado Imobiliário (CMI). O valor médio do metro quadrado na
região passou de R$ 50 para R$ 80, se considerado imóvel top de linha,
com piso elevado, pé-direito alto, mais de quatro vagas de garagem e
outras características. Na outra ponta, quando avaliado prédio antigo
sem vagas de estacionamento, o reajuste médio foi de 50%, tendo passado
de R$ 30 para R$ 40. “A melhor mercadoria tem mais liquidez, mais
atrativos e é mais moderna”, afirma o vice-presidente da CMI, Evandro
Negrão de Lima Júnior.
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