A falta de punição aos infratores deixa o caminho livre para a instalação de faixas de pano em ruas e avenidas de Belo Horizonte. No ano passado, a prefeitura apreendeu mais de 40 letreiros do tipo por dia, mas apenas um autor foi multado, como determina o Código de Posturas.
“Existe alguma falha na fiscalização. De que adianta a lei, se não há
como fazer com que seja cumprida?”, questiona a presidente do Instituto
dos Arquitetos do Brasil em Minas Gerais (IAB-MG), Rose Guedes.
Em todas as regiões da capital, podem ser vistas faixas de pano que
anunciam a venda de imóveis, a procura por animais domésticos que
fugiram de casa e declarações públicas de carinho ou ódio. A instalação
desses letreiros, qualquer que seja o conteúdo, é estritamente proibida.
O Código de Posturas prevê multas de R$ 2.115,80 a R$ 6.347,40.
No entanto, a punição é para poucos. “Nosso nível de multas é muito
baixo, não chega a 5% (dos casos)”, diz o gerente do Movimento Respeito
por BH, Vicente Artur Sales Dias. Em 2011, a prefeitura apreendeu 17 mil
faixas, mas foram lavrados somente 630 autos de infração.
Sales, que também é assessor da Secretaria Municipal de Serviços
Urbanos, afirma que os fiscais têm dificuldades para encontrar os
responsáveis pelos anúncios. “Nas faixas, só vem o telefone de contato.
Quando dizemos que é da prefeitura, as pessoas não se identificam”.
Conselheira do IAB-MG, Cláudia Pires diz que o método da prefeitura é
ineficiente, e cobra mais rigor. “A certeza da impunidade impede o fim
desse uso desordenado do espaço público”.
Por isso, o governo está à procura de parceiros contra a farra das
faixas. A PBH tenta viabilizar um convênio com a Câmara do Mercado
Imobiliário (CMI) e o Conselho Regional dos Corretores de Imóveis
(Creci-MG) com o objetivo de realizar uma campanha para reduzir,
principalmente, o número de anúncios imobiliários irregulares. Eles
correspondem a mais de 90% dos que foram recolhidos pela prefeitura no
ano passado.
O presidente do Creci-MG, Paulo José Vieira, diz que a maioria dos
anúncios parte de pessoas que exercem a corretagem ilegalmente. Se o
convênio sair, caberá ao Creci orientar as imobiliárias sobre a
importância de denunciar os infratores. “Os corretores legais serão
multados e aqueles que trabalham irregularmente, denunciados ao
Ministério Público”.
Vieira assegura que as imobiliárias respeitam a legislação, instalando
adesivos ou faixas de pano com, no máximo, um metro de altura. Apenas
órgãos públicos podem colocar anúncios pela cidade – como faz a BHTrans,
para comunicar desvios. “No caso de o governo manter uma parceria com o
ramo privado, a empresa tem direito de ocupar 10% da faixa com
propaganda”, explica o gerente do Movimento Respeito por BH.
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