Em 2011, o preço do aluguel residencial em Belo Horizonte registrou
aumento de 10,47%, enquanto a inflação (IPCA-Ipead) na cidade ficou em
7,22%, mesmo com o crescimento de 32,15% na oferta de imóveis para
locação. Os dados são da pesquisa realizada pela Câmara do Mercado
Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas
Gerais (CMI/Secovi) e pelo Instituto de Pesquisas Econômicas e
Administrativas (Ipead) da UFMG.
Em dezembro de 2011, quando a
variação do IPCA-Ipead foi de 0,59% em BH, o valor do aluguel
residencial teve aumento de 1,01%. No mês, a variação geral residencial
por tipos de imóveis foi de 1,01% (apartamentos), 2,04% (barracões) e
0,64% (casas).
Em contrapartida, a pesquisa apontou queda de
2,46% em dezembro no que se refere à oferta de imóveis residenciais.
Também foi apurado o indicador de oferta por tipo de imóveis, que
apresentou variação de -4,61%, no caso de apartamentos; 5,33%, barracões
e 11,11%, em se tratando de casas.
Presidente da CMI/Secovi,
Ariano Cavalcanti de Paula confirma que, apesar do aumento da oferta de
imóveis para locação, não houve queda da valorização. “Principalmente
nas classes de baixa e média rendas. No segmento de imóveis de classe
alta, a valorização do aluguel foi menor”, verifica.
O fator que mais contribuiu para esse aumento, de acordo com Mírian
Dayrell, diretora da Mírian Dayrell Imóveis, foi a elevação e a
valorização dos preços dos imóveis. “Na maioria das situações, o preço
do aluguel é calculado em cima do valor de mercado do imóvel. Locações
acordadas há trinta meses, que é o prazo normal de um contrato, estavam
muito defasadas. Na renovação desses contratos, o percentual de aumento
elevou muito por causa da pouca oferta no mercado”, explica Mírian.
DIFERENCIAIS
Morador
do Bairro Camargos, na Região Oeste de BH, o fresador Carlos Moraes
observou um acréscimo no valor do aluguel no ano passado. Mas, no seu
caso, superou os 10,47%. Por isso, há sete meses ele está em outro
imóvel, no mesmo bairro. “De R$ 400, ia passar para R$ 500. Como não
concordei com o reajuste, pediram o imóvel”, conta.
Apesar de
atualmente pagar um valor um pouco abaixo do que foi pedido pelo
proprietário do imóvel em que morava anteriormente, Carlos achou a
mudança vantajosa, já que é preciso levar em conta a estrutura da
moradia para se decidir pelo fechamento do negócio. “O apartamento no
qual moro agora tem cozinha e banheiro planejados, armário embutido nos
quartos, ventilador de teto e persiana”, diz.
Ano começa com alta de 5%
Para
minimizar as projeções de aumento previstas para este ano, a sugestão
para os inquilinos que já estão no imóvel é negociar e chegar a um
acordo com proprietários
Um indício de que o cenário de alta
nos valores dos aluguéis tende a se repetir em 2012 é que o ano mal
começou e já houve um aumento de, aproximadamente, 5% nos preços,
segundo a diretora da Mírian Dayrell Imóveis, Mírian Dayrell. Ela
esclarece que, como a tendência é de que haja uma acomodação nos preços
para a venda de imóveis, mais pessoas comprarão, colocando-os para
locação.
Proprietária de um imóvel no Bairro Serrano, Região
Noroeste de Belo Horizonte, a contadora Adriana Scheidegger Figueiredo
Nogueira confirma que alugar é vantajoso. “O retorno financeiro é muito
bom”, diz. Há seis meses com uma nova inquilina, ela conta que, com a
mudança de contrato, houve um aumento de 33% no valor do aluguel. “O
reajuste teve como base o que é cobrado na região e, mesmo assim, está
abaixo do que é estipulado pelas imobiliárias, porque a negociação foi
fechada diretamente com a inquilina. Se fosse com a imobiliária, o
reajuste seria de 60%”, conta.
Ariano Cavalcanti de Paula,
presidente da CMI/Secovi, confirma que a perspectiva é de que ainda haja
aumento superior à inflação, mesmo essa elevação nos valores não sendo
muito alta. Em resposta a esse comportamento, haverá novos investidores
disponibilizando imóveis para alugar. “O mercado de aluguéis tem uma
dinâmica própria, pois não é muito afetado pelo movimento de aumento da
oferta”, considera.
Apesar da possibilidade de mais pessoas
investindo na compra de imóveis para locação, de modo geral há pouca
oferta de aluguel em Belo Horizonte atualmente, e esse número não deverá
se elevar a ponto de chegar aos padrões internacionais. Segundo Ariano,
do total de imóveis da cidade, somente 14% é alugado. “Em países mais
desenvolvidos, em que a população tem fácil acesso a financiamentos
imobiliários, o percentual é de, em média, 30%. Países como a Holanda
chegam a registrar índices de 50%. Portanto, não há uma tendência de
redução do número de imóveis alugados”, acredita.
Tanto é assim
que o principal desafio em 2011 foi a oferta, que ainda não é suficiente
para suprir a demanda, como aponta o presidente da CMI/Secovi. “A
produção imobiliária nas décadas de 1980 e 1990 foi reduzida, o que
acabou represando a demanda. Isso leva alguns anos para ser corrigido. O
mercado tem respondido, investindo em mais construções. Um equilíbrio
maior deve ocorrer em 2013”, analisa Ariano.
De qualquer forma,
com a perspectiva de aumento nos valores das locações e o crescimento
das facilidades para a aquisição de imóveis verificado nos últimos anos,
os reflexos desse movimento podem ser presumidos. “Devido ao aumento do
aluguel, o tempo para locação está maior. Mas há uma baixa de oferta
devida à facilidade de financiamento”, verifica Mírian.
CONTRAPROPOSTAS
Para quem ainda não pode investir na casa própria e terá de pagar por
esse aumento, a saída é a negociação, como sugere a empresária.
“Principalmente para os inquilinos que já estão no imóvel. Para o
locador, é muito mais vantajoso manter um inquilino que paga em dia do
que ter que procurar outro e correr o risco de não acertar. A nova
contratação gera despesas para o proprietário. Muitas contrapropostas
são acatadas.”
Ariano também acredita que essa é uma alternativa
viável, mas alerta que tudo depende do comportamento do mercado. “A
negociação é sempre interessante, em que cada parte tem seus argumentos.
Mas o resultado sempre vai depender da relação entre a oferta e a
demanda.”
Comerciais mais caros
Assim
como no mercado residencial, em 2011, locar imóveis comerciais ficou
mais caro. Conforme apurado pela pesquisa CMI/Secovi, no acumulado do
ano foi percebida uma variação de 13,47%. Já com relação à oferta de
imóveis, no ano passado houve uma alta de 25,36% e uma das razões para
isso foi o aumento dos preços, conforme analisa Ariano Cavalcanti. “Com a
recuperação do preço do aluguel, ocorrida a partir de 2004, houve um
incentivo para o retorno dos investidores ao mercado, o que contribui
para ampliar a oferta”, acrescenta.
O presidente da CMI/Secovi
diz que o que impulsiona ou determina o aumento ou queda nos valores de
imóveis comerciais é a economia. “Se ela está crescendo e vai bem, há
uma expansão desse mercado. É esse fenômeno que estamos vivenciando
desde 2004, quando a economia brasileira deu um grande salto.”
E
as perspectivas são de que este ano o cenário de aumento nos preços dos
aluguéis comerciais, assim como nos dos residenciais, se repetirá. “Em
uma proporção menor do que a registrada em 2011, mas ainda assim o valor
dos aluguéis vai subir mais do que a inflação”, prevê Ariano.
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